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EXPOSIÇÃO “A Pele do Ecrã”

Beja, 15 mai 2026, 11:30h

Local Biblioteca Municipal José de Saramago
Entrada livre

Partindo da ideia de que vivemos num simulacro permanente, os projetos desenvolvidos pelos formandos/estudantes exploram a dissolução das fronteiras entre o real e o fictício, entre a presença e a representação, entre a identidade vivida e a identidade projetada. Através de câmaras, fotografia, software de modelação e ferramentas digitais, cada participante constrói uma narrativa própria que interroga os modos como a imagem e a informação moldam a perceção contemporânea. 

A simulação, o engano e a instabilidade do real infiltraram-se no quotidiano, abrindo fissuras na cultura democrática e ampliando a desconfiança sobre aquilo que tomamos como verdade. Neste contexto, o computador deixa de ser apenas uma ferramenta e torna-se um laboratório de ensaio para identidades múltiplas, reversíveis e disseminadas. A metáfora do sistema operativo, janelas simultâneas, mundos paralelos, múltiplos “eus” em coexistência, espelha uma subjetividade descentralizada, capaz de habitar diversos espaços ao mesmo tempo. Se outrora o telescópio expandiu o cosmos e o microscópio revelou o invisível, hoje a tecnologia digital introduz-nos no domínio da virtualidade e da simulação. O ecrã eletrónico tornou-se um espaço de revestimento identitário, onde o sujeito experimenta novas formas de presença, ficção e projeção de si. A vida real parece, por vezes, apenas mais uma janela entre muitas outras.

É neste território que emerge a noção de “capitalismo pixelizado”, uma economia da atenção, da imagem e dos dados, em que a experiência humana é convertida em representação, circulação e consumo. Os trabalhos apresentados não procuram oferecer respostas fechadas, mas antes levantar questões urgentes sobre autoria, memória, corpo, verdade e identidade num tempo saturado de informação.

David Infante

 

DAVID INFANTE

É doutor em Belas Artes, na especialidade de Arte Multimédia, pela Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes (2024), e mestre em Fotografia pelo Royal College of Art (2017). Recebeu o Prémio BES Revelação em 2008, atribuído pelo Banco Espírito Santo e pelo Museu de Serralves. Em 2007, foi também premiado com o Prémio Pedro Miguel Frade, pelo Centro Português de Fotografia. Em 2014, foi selecionado para o PhotoEspaña, na secção Descubrimientos, e, em 2024, para o BBA Photography Prize, em Berlim, Alemanha.

David Infante tem mostrado o seu trabalho em várias galerias e museus. As suas exposições mais recentes incluem Na Fundação Eugénio de Almeida no centro arte e cultura, Believe,  na Galeria Módulo, com If All Time Is Eternally Present; Villa Tamaris Centre d'Art, com Un Été au Portugal, em Toulon, França; a Galeria La Ira de Dios, com Hechos, em Buenos Aires, Argentina; o Royal College of Art, com WIP Show, em Londres, Reino Unido; e a Sociedade de Belas Artes, com In Black and White, PMLJ Collection, em Lisboa, Portugal. O seu trabalho tem sido referenciado em diversas publicações e está representado em coleções privadas, assim como em coleções nacionais e internacionais. 

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