Exposição "vi uma cobra a voar" de Maja Escher
Beja, 31 jan 2026, h
Local Futurama - Espaço de Artes e Conhecimento
Entrada livre
A exposição “vi uma cobra a voar” parte do imaginário surrealista da poesia popular para invocar uma relação antiga entre corpo, terra e palavra. Maja Escher escava símbolos soterrados, memórias que a terra preservou debaixo de pedras, nesses lugares longínquos em que palavras ainda guardam magia. À nossa volta emergem fragmentos de um mundo ao contrário, onde as fronteiras e os binários se dissolvem, onde o mar arde e o verão neva, onde chovem lagartixas e macieiras dão nozes. Tingidos pelas cores da terra, falam-nos de segredos passados pela boca, de conjuros antigos, serpentes aladas e cometas caídos em alto-mar. Por alquimia e ritual, a mão transforma húmus e linguagem numa mesma matéria viva: o barro é amassado e (en)cantado, transmutado em signos de alfabetos quase esquecidos, infundido com o ressoar do estômago da terra e o murmúrio da imaginação, todos os sussurros que nos repetem – ainda estamos vivas.
Marta Espiridião
Maja Escher (1990, Santiago do Cacém) vive e trabalha entre Lisboa e Monte Novo da Horta dos Colmeeiros no concelho de Odemira.
Concluiu a licenciatura e o mestrado em Arte Multimédia na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2008–2014), incluindo uma bolsa Erasmus em Londres, na Architecture and Visual Arts School (2011). Estudou também Pedagogia Waldorf no Waldorf Institut Witten-Annen, na Alemanha, e frequentou um curso de Cerâmica no Ar.Co, em Lisboa, onde foi bolseira do Projeto Individual (2018/19).
Participa regularmente em programas de residências artísticas, incluindo residências recentes como: CEENTAA Artist Residency, com Alejandro Alonso Díaz, na Tapada da Tojeira, Portugal (2024/2025); Residência Artística Projecto Lugar, artista convidada no Centro de Arte Moderna – Fundação Calouste Gulbenkian (2024/2025); e AIR Artist in Residence Munique, com curadoria de Yara Sonseca Mas, na Villa Waldberta, Munique (2024), com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. Participou também na residência artística How to make it rain (in 5 steps), na Worlding, em Londres (2021), com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian; e desenvolveu o Projecto Participativo Mastro dos Vizinhos, na Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea (2019); Entre as exposições recentes destacam-se: Lugar Semente, CAM – Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (2025); Exposição de Finalistas – Prémio EDP, MAAT, Lisboa (2025); How Does It Feel on the Tongue?, com curadoria de Jesse James, no Ignition Space do FRACC, Fall River, EUA (2024); Submerso / Percolação das Águas, na Manifesta 15 Barcelona Metropolitana (2024); CATHARSIS, Porto Design Biennale (2023); MATER, com Virgínia Fróis e Marta Castelo, no Pavilhão Branco – Galerias Municipais Lisboa (2023); Só Pedimos Que Nos Semeiem na Terra, com Sérgio Carronha, na Monitor Gallery Lisboa (2022); e Um Dia Choveu Terra, com curadoria de Filipa Oliveira, na Galeria Municipal de Almada (2020).
A prática artística de Maja Escher tem uma dimensão coletiva e híbrida na qual desenhos, objetos encontrados, práticas colaborativas e métodos de trabalho de campo fazem parte do processo para desenvolver instalações site-specific e projetos de investigação.
Estabelecer uma relação com os lugares e as pessoas é essencial para o seu processo de trabalho: frequentemente os seus projetos surgem de um momento de partilha, uma conversa, uma música ou um objeto encontrado ou oferecido. Barro, canas, cordas, pedras, legumes e outros elementos encontrados ou oferecidos durante as suas pesquisas de campo são frequentemente combinados com adivinhas, ditados populares e canções, criando uma tensão entre sabedoria popular e científica, magia e tecnologia.